segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A flor da honestidade



Conta-se que, por volta do ano de 250 a. C., na China, um príncipe da região norte do país estava às vésperas de ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, ele deveria se casar. Sabendo disso, resolveu fazer uma “disputa” entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de ser sua esposa.

No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia todas as pretendentes numa celebração especial, e lançaria um desafio.

Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua filha nutria um sentimento de profundo amor pelo jovem. Ao chegar em casa e ao relatar à moça, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração e indagou, incrédula:

- Minha filha, o que vais fazer lá? Estarão presentes as mais belas e ricas moças da corte. Tira essa ideia insensata da cabeça. Sei que tu deves estar sofrendo, mas não tornes o teu sofrimento uma loucura. E a jovem respondeu:
- Não, querida mãe, não estou sofrendo, e muito menos louca. Sei que jamais poderei ser a escolhida, mas será a oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do meu amado. Só isso já me torna feliz.

À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e as mais determinadas intenções. Então, finalmente, o príncipe anunciou o desafio:
- Darei a cada uma de vocês uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida a minha esposa e futura imperatriz da China.

A proposta do rapaz não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava a especialidade de “cultivar” algo. O tempo passou, e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava de sua semente com muita paciência e ternura, pois sabia que, se a beleza da flor surgisse na mesma extensão do seu amor, ela não precisaria de se preocupar com o resultado.

Passaram-se três meses e nada brotou. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas em vão.

Por fim, os seis meses passaram sem que nenhuma planta tivesse surgido. Consciente do seu esforço e dedicação, a moça comunicou à mãe que, independente das circunstâncias, retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe. Na hora marcada ela lá estava, com o seu vaso vazio, no meio de todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. A jovem estava admirada; nunca havia presenciado tão bela cena.

Finalmente, chegou o momento esperado, e o príncipe observou cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anunciou o resultado e indicou a filha da velha senhora como sua futura esposa. As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele escolheu, justamente, aquela que nada havia cultivado.

Então, calmamente, o príncipe esclareceu:
- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz: a flor da honestidade. Pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.

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