segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A menina dos fósforos

Hans Christian Andersen
 
Fazia tanto frio! A neve não parava de cair na Europa, e a noite aproximava-se. Aquela era a última noite de dezembro, véspera do dia de Ano Novo. Perdida no meio do frio intenso e da escuridão, uma pobre menina seguia pela rua afora, com a cabeça descoberta e os pés descalços. É certo que ao sair de casa trazia um par de chinelos, mas não duraram muito tempo, porque eram uns chinelos que já tinham pertencido à mãe, e ficavam-lhe tão grandes, que a menina os perdeu quando teve de atravessar a rua correndo para fugir de um bonde. Um dos chinelos desapareceu no meio da neve, e o outro foi apanhado por um garoto que o levou, pensando fazer dele um berço para a irmã mais nova brincar.

Por isso, a menina seguia com os pés descalços e já roxos de frio; levava no avental uma quantidade de fósforos, e estendia um maço deles a todos que passavam, dizendo: — Quer comprar fósforos bons e baratos? — Mas o dia tinha ido mal. Ninguém comprara os fósforos, e, portanto, ela ainda não conseguira ganhar um tostão. Sentia fome e frio, e estava com a cara pálida e as faces encovadas. Pobre criança! Os flocos de neve caíam-lhe sobre os cabelos compridos e loiros, que se encaracolavam graciosamente em volta do pescoço magrinho; mas ela nem pensava nos seus cabelos encaracolados. Através das janelas, as luzes vivas e o cheiro delicioso da carne assada chegavam à rua, porque era véspera de Ano Novo. Nisso, sim, é que ela pensava. Sentou-se no chão e encolheu-se no canto de uma varanda. Sentia cada vez mais frio, mas não tinha coragem de voltar para casa, porque não vendera um único maço de fósforos, e não podia apresentar nem uma moeda, e o padrasto malvado era capaz de lhe bater. E afinal, em casa também não havia calor. A família morava numa meia-água, um barraco, e o vento metia-se pelos buracos das telhas, apesar de terem tapado com farrapos e palha as fendas maiores. Tinha as mãos quase paralisadas com o frio. Ah, como o calorzinho de um fósforo aceso lhe faria bem! Se  tirasse um, um só palito, do maço, e o acendesse na parede para aquecer os dedos...! Pegou num fósforo e: Fcht!, a chama espirrou e o fósforo começou a arder! Parecia a chama quente e viva de uma vela, quando a menina a tapou com a mão. Mas, que luz era aquela? A menina imaginou que estava sentada em frente de uma lareira cheia de ferros rendilhados, com um guarda-fogo de cobre reluzente. O lume ardia com uma chama tão intensa, e dava um calor tão bom! Mas, o que se passava? A menina estendia já os pés para se aquecer, quando a chama se apagou e a lareira desapareceu. E viu que estava sentada sobre a neve, com a ponta do fósforo queimado na mão.

Riscou outro fósforo, que se acendeu e brilhou, e o lugar em que a luz batia na parede tornou-se transparente como tule. E a menina viu o interior de uma sala de jantar onde a mesa estava coberta por uma toalha branca, resplandescente de louças delicadas, e mesmo no meio da mesa havia um ganso assado, com recheio de ameixas e puré de batata, que fumegava, espalhando um cheiro apetitoso. Mas, que surpresa e que alegria! De repente, o ganso saltou da travessa e rolou para o chão, com o garfo e a faca espetados nas costas, até junto da menina. O fósforo apagou-se, e a pobre menina só viu na sua frente a parede negra e fria.

Acendeu um terceiro fósforo. Imediatamente se viu ajoelhada debaixo de uma enorme árvore de Natal. Era ainda maior e mais rica do que outra que tinha visto no último Natal, através da porta envidraçada, em casa de um rico comerciante. Milhares de velinhas ardiam nos ramos verdes, e figuras de todas as cores, como as que enfeitam as vitrines das lojas, pareciam sorrir para ela. A menina levantou ambas as mãos para a árvore, mas o fósforo apagou-se, e todas as velas de Natal começaram a subir, a subir, e ela percebeu então que eram apenas as estrelas a brilhar no céu. Uma estrela maior do que as outras desceu em direção à terra, deixando atrás de si um comprido rastro de luz.

«Foi alguém que morreu», pensou para consigo a menina; porque a avó, a única pessoa que tinha sido boa para ela, mas que já não era viva, dizia-lhe à vezes: «Quando vires uma estrela cadente, é uma alma que vai a caminho do céu.»

Esfregou ainda mais outro fósforo na parede: fez-se uma grande luz, e no meio apareceu a avó, de pé, com uma expressão muito suave, cheia de felicidade!

— Avó! — gritou a menina — leva-me contigo! Quando este fósforo se apagar, eu sei que já não estarás aqui. Vais desaparecer como a lareira, como o ganso assado, e como a árvore de Natal, tão linda. 
Riscou imediatamente o punhado de fósforos que restava daquele maço, porque queria que a avó continuasse junto dela, e os fósforos espalharam em redor uma luz tão brilhante como se fosse dia. Nunca a avó lhe parecera tão alta nem tão bonita. Tomou a neta nos braços e, soltando os pés da terra, no meio daquele resplendor, voaram ambas tão alto, tão alto, que já não podiam sentir frio, nem fome, nem desgostos, porque tinham chegado ao reino de Deus.

Mas ali, naquele canto, junto do portal, quando rompeu a manhã gelada, estava caída uma menina, com as faces roxas, um sorriso nos lábios… morta de frio, na última noite do ano. O dia de Ano Novo nasceu, indiferente ao pequenino cadáver, que ainda tinha no regaço um punhado de fósforos. — Coitadinha, parece que tentou aquecer-se! — exclamou alguém. Mas nunca ninguém soube quantas coisas lindas a menina viu à luz dos fósforos, nem o brilho com que entrou, na companhia da avó, no Ano Novo.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Um conto de Natal



Quando o velho rico Naabot leu a carta que lhe havia chegado naquela tarde, deu um grande suspiro...

- Ah, a família! Quem escrevia era o seu primo, avisando-lhe de sua próxima visita. Zabulão, filho de Dibão… - Sua memória o inspirava ao mesmo tempo pena e certa aversão. Os dois, de famílias acomodadas em Israel, haviam sido muito próximos, quando jovens. Passado os anos, Naabot, empreendedor e incansável comerciante, converteu-se em um dos homens mais rios de Jerussalém. Zabulão, pelo contrário, viu seus negócios rodando em uma trágica serie de desgraças, e pelo que se sabia, estava agora à beira da mais completa ruina.
Contudo, depois de anos de separação, sentia curiosidade por vê-lo de novo, por isso marcou um encontro em sua casa de campo, a pouco mais de 6 milhas ao sul de Jerusalém.
O sol se pôs atrás das colinas arenosas, naquela tarde de dezembro, quando os primos se reuniram. O contraste entre os dois era chocante. Naabot era uma figura encarnada da sorte. Alegre, gordo e exalava caros perfumes, vestia uma túnica de seda persa, e vistosos anéis brilhavam em quase todos os seus dedos. Pelo contrário, o grisalho Zabulão, personificação do fracasso e da pobreza. Seu rosto estava marcado por uma contínua e silenciosa resignação. Seu corpo esquálido estava coberto por uma túnica tão rasgada, que não poderia se adivinhar a cor original. Quem o visse, não poderia crer que um dia fora um homem de muitas posses. Compadecido, Naabot o convidou para jantar, convite humildemente aceito pelo outro.
Durante o jantar, que o pobre compreensivelmente devorava com avidez, falaram sobre o passado, lembrando da infância e da juventude de ambos. Certo momento, Naabot declarou ao primo seu modo de ver as coisas.
- Veja, Zabulão, eu respeito profundamente ao Deus de Abraão, mas deixemos o Todo-Poderoso em seu templo, que é bastante grande. Aqui, sobretudo no comércio, devemos utilizar da astucia e todos os meios que estão ao nosso alcance, para obter êxito e riqueza. E dizia isto contorcia as mãos, como que agarrando um punhado de imaginárias moedas diante dele.
O primo pobre, homem piedoso, não era de acordo com este ponto de vista materialista de Naabot, e também discutiram a respeito por um bom tempo durante a noite. Entretanto se respeitavam, entre os dois havia uma profunda divergência na forma de ver a vida. Por ultimo, vendo que não chegariam a nenhuma conclusão, Naabot interrompeu a conversa e disse:
- “Bem, vamos ser sinceros. Não terá sido para discutir filosofia, nem para lembrar o passado, que o meu bom primo decidiu vir visitar-me. Assim, diga-me, Zabulão, tens algo que eu possa te ajudar?”
- “Sim!” – disse o infeliz, curvando a cabeça – “Necessito tua ajuda. Mas não venho pedir dinheiro, somente propor um trato”.
- “Que negócio?” – perguntou curioso o comerciante
- “Como deves saber, tudo o que eu tinha, perdi. Tudo, salvo apenas um pequeno pedaço de terra, o resto de uma granja, que em outros tempos era grande, não muito longe daqui. Acreditas que podes comprar este terreno?” – Naabot deu uma gargalhada.
- “Sim, posso comprá-lo? Meu querido Zabulão, atrevo-me dizer, sem exagerar e nem com arrogância, que tenho dinheiro para comprar qualquer coisa em Jerusalém, exceto o Templo e o palácio do governador, porque, evidentemente, não estão à venda. Escuta, se por acaso o sítio valer mais do que o que estou pensando em oferecer-te, entrego-te os meus anéis”.   – E balançava ligeiramente as mãos, fazendo brilhar os diamantes e safiras. – “Disse-me que não está longe? Então, peguemos dois cavalos e alguns homens e vamos ver esta terra. Assim, esta noite te pagarei, para que os fariseus não digam que não ajudei a um familiar necessitado.
E assim foi. Era uma noite maravilhosamente estrelada, bonita e clara. E como Zabulão havia dito, o lugar estava próximo. Mas, ao chegar ali, viram a uma certa distância, ao lado da colina, algumas silhuetas de homens, camelos e cavalos.
- “Oh, uma caravana! Teu terreno é ocupado pelos beduínos, Zabulão. Vai custar mais dinheiro para eu tira-los dali. Vamos ver, mais de perto, quantos são”.
No entanto, ao aproximar-se, Naabot observou preciosos adornos nos camelos e, surpreendido, murmurou:
- “Por Elias, não são beduínos, são homens ricos, talvez até sejam nobres. Que fazem aqui?” – cheios de curiosidade, os dois judeus e seus guardas aproximaram-se cada vez mais, sem prestar atenção aos integrantes da caravana, nem estes neles. De repente, apareceram os três chefes deste grupo desconhecido. Os três israelitas estavam atônitos. Não era simplesmente nobres, pelas coroas que portavam, eram reis! Tão ricos e suntuosos, que Naabot sentiu-se como sua suposta fortuna reduzia-se a ponto de parecer insignificante.
Não haviam percebido, mas aos pés do monte havia uma pequena e pobre gruta, para onde os enigmáticos reis se dirigiram. Vendo o céu, Zabulão se deu conta que a noite estava clara, não tanto pelas estrelas, mas sim por uma em particular, que superava a todos pelo seu brilho. Esta parecia assentar-se suavemente na colina.
No interior da gruta se encontravam, entre um boi e uma mula, um home com sua jovem esposa, que tinha em seus braços um recém-nascido que sorria. Era algo fantástico, porque deste Menino parecia irradiar uma luz misteriosa, mas tênue, que envolvia a gruta e a todos os presentes. Então os reis, um por vez, inclinaram-se em adoração diante do Menino, tocaram o solo com sua testa e ofereceram-lhe magníficos presentes. Mais tarde, começaram a chegar pastores da região e de toda redondeza, ficaram em respeito e admirado silêncio ante o extraordinário Menino.
Depois de ficar um tem naquela serena e bela atmosfera, Naabot e seu grupo deram-se conta que era o momento de partir. Fazendo um ultima reverência, saíram sem fazer ruído e caminharam em silêncio. Naabot rompeu o silêncio, e despojando-se, um por um, dos seus preciosos anéis, entregou-os a seu primo enquanto dizia:
- “Cumpro o que disse. Pegue, Zabulão. És o pobre mais rico que existe. Estes anéis são somente uma migalha. Teu terreno, com sua gruta, não tem preço. Não há ouro em todo Império Romano que possa pagar aquele vale”.
Um dos guardas, ousando dirigir-lhe a palavra, perguntou ao seu amo:
- “Meu Senhor, Naabot, nos há chegado um novo profeta?”
Os primos entreolharam-se e Zabulão respondeu:
- “Não, meu filho. Diante de nós se cumpriu séculos e séculos de profecias… Esta noite, o Messias nasceu em Israel”.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Martin: o homem mais feliz do mundo

Martin era um humilde sapateiro de um pequeno povoado da montanha. Vivia sozinho. Havia anos que ficara viúvo e seus filhos havia para a cidade em busca de trabalho.

Martin, toda noite, antes de ir dormir lia um trecho dos evangelhos em frente ao fogo da lareira. Aquela noite despertou-se assustado. Ouviu claramente uma voz que lhe dizia: “Martin, amanhã Deus virá te ver”.

Levantou-se, mas não havia ninguém na casa, nem fora, é claro, nestas horas da fria noite…Levantou-se muito cedo e limpou e abriu sua sapataria. Deus devia encontra-lo todo perfeito. E se pôs a trabalha diante da janela, para ver quem passava pela rua. Depois de um tempo viu passar um mendigo vestido em farrapos e descalço. Compadecido, levantou-se imediatamente, e o fez entrar em sua casa para se aquecer um pouco junto ao fogo. Deu-lhe um copo de leite quente e preparou um pacote com pão, queijo e fruta, para o caminho e deu-lhe uns sapatos. 

Levou outro tempo trabalhando, quando viu passar uma jovem viúva com seu filho, mortos de frio. Também os fez entrar. Como já era meio dia, fez eles sentar à mesa e deu-lhe um prato de sopa que havia preparado,  caso Deus quisesse comer. Também, foi buscar roupas da sua mulher e outros de seu filho e deu à jovem senhora para que não passassem mais frio.

Passou a tarde e Martin se entristeceu, porque Deus não aparecia. De repente soou a campainha da porta e virou-se alegre crendo que era Deus. A porta se abriu com alguma violência e um bêbado entrou caindo. 

- Só me faltava esta! Veja, e se Deus vem agora… - disse o sapateiro. 

- Tenho sede! – exclamou o bêbado. 

Quando o bêbado foi embora já era muito tarde. E Martin estava muito triste. Deus não havia vindo. Sentou-se diante do fogo da lareira. Tomou os evangelhos e aquele dia o abriu às escuras. E leu: 

- “Porque tive fome e deste-me de comer, tive sede e deste-me de beber, estava nu e me vestistes… Cada vez que o fizestes com um dos meus pequeninos, é a mim que o fizestes…” 

O rosto do pobre sapateiro se iluminou. Claro que Deus havia o visitado! Não uma vez, mas sim, três vezes! E Martin, aquela noite, dormiu pensando que era o homem mais feliz do mundo.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Abecedário para o Natal



Alegria! A vida ‘e um dom de Deus.
Bem-aventurado és, porque Deus é contigo.
Caminhe sempre em direção a Estrela, pois Deus sempre nos mostra o caminho.
Doe um sorriso, pois este pode ser o presente que alguém mais precisa de você.
Espere com amor, pois Cristo vem nascer em nosso coração.
Felicidade! O nascer de Cristo acontece a cada manhã!
Glorifique a Deus. Ele nos enviou o Salvador
Hoje, é o momento em que tem que começar, não deixe para amanhã!
Imite a Cristo. Ele soube realmente ser a diferença.
Julgue-se pelos teus atos e isto te levará longe.
Liberte-se de toda falsidade e mentiras, elas não trazem nada de bom.
Maravilha-se com a beleza da natureza que te rodeia.
Nasça todo dia como o sol, trazendo calor, vida e luz para o mundo.
Omita a mentira, a verdade sempre é o melhor remédio.
Pule de alegria, você é um vencedor a cada segundo do dia.
Queira sempre mais amor ao coração, pois só ele transforma.
Respeite todas as criaturas, pois Deus criou a todos de forma especial.
Solidariza-se com aqueles que precisam e necessitam de um amigo de verdade.
Tolere as dificuldades, pois ninguém disse que o caminho seria fácil.
Una a todos e mostre que você é feliz por tê-los ao teu lado.
Verdade: será a palavra de ordem para o nosso dia a dia e com as pessoas.
X é a incógnita que Deus coloca no nosso caminho, para aprendermos a escolher.
Zele pela amizade, pois este é o melhor presente que podemos ter.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A vaca no precipício



Um filósofo e seu discípulo resolveram fazer uma pesquisa e saber como viviam as pessoas na sua região. Chegando à primeira residência, foraa recebidos pelos moradores: um casal com cinco filhos - todos com roupas limpas, porém rasgadas. Depois de servir um cafézinho dispôs-se a responder as perguntas do visitante.
- O senhor está no meio desta floresta, não há nenhum comércio nas redondezas - observou o mestre ao pai de família.  Como sobrevivem aqui?
E o homem, calmamente, respondeu:
- Meu amigo, a situação é muito difícil. Graças a Deus, temos aqui uma vaquinha que não nos deixa passar fome. Às vezes sobra um pouco de leite e fazemos um pouco de queijo e vendemos na cidade vizinha. E assim vamos sobrevivendo.
O filósofo agradeceu pela informação, comtemplou o lugar por um momento e foi embora. No meio do caminho, disse ao discípulo:
- Jogue a vaquinha deste pobre homem no precipício.
- Não posso fazer isso, é a única forma de sustento da família! - Espantou-se o discípulo.
O filósofo permaneceu calado. Sem alternativa, o rapaz fez o que lhe mandara o mestre, e a vaquinha morreu na queda. A cena ficou gravada em sua memória.
Muitos anos depois, já um empresário bem sucedido, o ex-discípulo resolveu voltar ao mesmo lugar, contar tudo à família, pedir perdão e ajudá-la financeiramente. Chegando lá, para sua surpresa, encontrou o local transformado num belíssimo sítio, com árvores floridas, carro na garagem e rapazes e moças bem vestidos e felizes. Ficou desesperado, imaginando que a humilde família tivesse precisado vender o sítio para sobreviver. Apertou o passo e foi recebido por um caseiro muito simpático.
- Para onde foi a família que vivia aqui há dez anos? - perguntou.
- Continuam donos do sítio - foi a resposta.
Espantado, ele entrou correndo na casa, e o senhor logo o reconheceu. Perguntou como estava o filósofo, mas o rapaz nem respondeu, pois se achava ansioso demais para saber como o homem conseguira melhorar tanto o sítio e ficar tão bem de vida.
- Bem, nós tinhamos uma vaquinha, mas ela caiu no precipício e morreu - disse o senhor. - Então, para sustentar minha família, tive que plantar ervas e legumes. Como as plantas demoravam a crescer, comecei a cortar madeira para vender. Ao fazer isso, tive que replantar as árvores e precisei comprar mudas. Ao comprar mudas, lembrei-me da roupa de meus filhos e pensei que talvez pudesse cultivar algodão. Passei um ano difícil, mas quando a colheita chegou, eu já estava exportando legumes, algodão e ervas aromáticas. Nunca havia me dado conta de todo o meu potencial aqui: ainda bem que aquela vaquinha morreu. Era um atraso em nossas vidas.